A ridícula ideia de que racismo é opinião e tem time
A ridícula ideia de que racismo é opinião e tem time
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Desde que critiquei o goleiro Marcos por rir de uma postagem que relatava o racismo sofrido por Hugo Souza, minhas redes sociais foram invadidas por amor e ódio.
Agradeço demais o apoio, sem o qual eu provavelmente não conseguiria me sustentar com alguma esperança neste meio tão hostil.
O ódio não surpreende, mas os argumentos não deixam de chocar. Alguns deles vão na linha de: como ousas "atacar" um ídolo palmeirense, especialmente para "defender" um corinthiano? Respeite a ideologia do outro! Respeite minha liberdade de pensar diferente!
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Sério? Participar de atos machistas, homofóbicos e racistas agora é opinião? Ideologia? Se pegar mal, basta dizer "desculpe se você se ofendeu" e está tudo resolvido?
O preconceito — e isso deveria ser óbvio — não cabe dentro da liberdade de expressão. Não, você não tem o direito de aviltar a humanidade do próximo porque vota em tal partido ou torce para tal clube. Respeito não deveria ter lado.
"Aaaafff, o futebol está muito chato, não se pode falar mais nada." Quem me dera.
O futebol, na verdade, continua infestado de discursos horrendos, como vimos na fala misógina de Gustavo Marques sobre Daiane Muniz e nos insultos criminosos proferidos contra Hugo Souza. E não só no discurso, como vimos na estreia do time do goleiro Bruno, na Copa do Brasil, com sua homenagem a companheiros presos por suspeita de estupro.
Se além de tudo que já nos divide, ainda traçarmos a linha da rivalidade para justificar a tolerância ao horror, aí de fato é melhor parar tudo pra gente descer logo deste inferno.
O mundo em que quero viver está refletido em uma postagem do coletivo Zumbi dos Palmeiras, em apoio ao goleiro do Corinthians: "Queremos deixar aqui, o que para nós da ZDP, como movimento negro e periférico é o mínimo. Nossa ideologia é sobre a negritude, a periferia e o palmeirense que pertence a esses dois pilares. Mas, acima de clube, está a raça. Acima do clubismo, estão nossos valores, ideologias e hombridade. [?] E que a união entre os nossos ultrapasse o âmbito do futebol. Pois a conscientização política, racial e social tem que ser em primeiro lugar para termos um aquilombamento eficiente."
O resto é loucura. E crime.
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