As barracas eleitorais
Há algum tempo que analiso os resultados eleitorais das diferentes eleições e há coisas que para mim são incompreensíveis, mas que revelam, no mínimo, amadorismo e falta de respeito pelo direito à informação por parte das entidades responsáveis pelos atos eleitorais. Quinta-feira, quando escrevi o texto da página 9, que fechou antes desta, faltavam apurar os resultados de quatro consulados: Pequim, Luanda, Costa do Marfim e Quénia. Na Costa do Marfim votaram 23 portugueses, no Quénia 54, 10 em Pequim e 1202 em Luanda – em Angola há dois consulados e o de Benguela apresenta os resultados no imediato. Como não há ninguém da Comissão Nacional de eleições ou do Ministério da Administração Interna que explique o inexplicável, as dúvidas persistem, mas nesta segunda volta há um dado ainda mais insólito; dois países que constavam dos resultados oficiais na primeira volta desapareceram, como que por milagre, na segunda volta. Falo da Croácia e da Etiópia.
Não é que estes países mudem alguma coisa – por acaso, a votação de Luanda acabou por dar a vitória em África a António José Seguro, mas não passa de um simbolismo – mas, numa altura em que a tecnologia está tão presente, como se justifica, por exemplo, que o consulado de Berlim seja sempre dos últimos a apresentar resultados? Insólito, repito.
Falando um pouco das eleições, a votação em António José Seguro, quase três milhões e meio de votos, veio mostrar como André Ventura divide, ou une, tanto a sociedade. Mas a votação de Ventura só foi uma derrota estrondosa para fanáticos como Isaltino_Morais, que gosta tanto do líder do Chega como Putin simpatiza com Zelensky. Achar que quem teve, pela primeira vez, num espaço de seis anos, um milhão e setecentos mil votos é um fracasso é deixar que o ‘ódio’ tome conta da análise aos resultados. André Ventura ficou a 250 mil votos do que queria, e talvez se tenha desorientado um pouco na noite de domingo, quando disse que, em termos percentuais, já tem mais votos que a AD. Parece que o síndrome de Isaltino atingiu em cheio o líder do Chega.
Independentemente disso, é óbvio que André Ventura vai fazer muito barulho nos próximos três anos, mas poderá estar a falar para o boneco, caso não existam eleições antecipadas. Seguro – eu adorava ter visto a cara de Augusto Santos Silva, Pedro Adão e Silva, Isabel Moreira, entre outros, no recato da privacidade no domingo – deverá ser o Presidente que todos esperam: um homem honesto que não quererá grandes ondas, mas o futuro o dirá se será muito ou pouco interventivo. Foi engraçado ver tantos a juntarem-se à sua volta, mas esperemos que ninguém faça a leitura dos quase três milhões e meio de votos que João Cotrim Figueiredo fez dos ‘seus’ 900 mil. Ninguém é dono dos votos, e as últimas eleições só têm demonstrado como os votantes votam cada vez mais de acordo com a sua consciência e não seguindo a cor partidária. Por fim, falar dos eleitores das 20 freguesias que irão votar no próximo domingo. Sabendo que vão votar para o boneco, qual será a razão para o irem fazer?
Ah! Os países dos PALOP votaram maioritariamente em António José Seguro, aumentando consideravelmente o número de votantes, seguindo o raciocínio dos votantes do território nacional, unindo-se numa frente nacional contra Ventura. No Brasil, França e Suíça a conversa foi outra e Ventura ganhou com toda a facilidade.
P.S. Parece que alguns dirigentes do Chega confessaram a jornais que estavam à espera de mais e que é preciso fazer alguma coisa. Seria engraçado vê-los avançar contra Ventura e a conseguirem melhor do que o seu atual líder...
Em Espanha, nomeadamente em Ibiza, mas não só, os partidos da extrema-esquerda e o PSOE querem acabar com o futebol nos recreios por ser um desporto tóxico em que há discriminações de género. É verdade que foram obrigados a fazer marcha-atrás, depois de tantas críticas, mas é evidente qual o tipo de sociedade que defendem, onde não há lugar para a diferença. Talvez queiram que se caminhe para um único género...
Japão na linha da frente II
O campeonato japonês está a testar um novo modelo, onde não há lugar para os empates. Sempre que um jogo acabar empatado, vai-se para penáltis, ficando a equipa que ganhar com dois pontos e a derrotada com um. O modelo, se não estou em erro, já foi testado nos EUA há muitos anos, mas não convenceu a rapaziada da FIFA. Eu sou um adepto ferrenho que no desporto não deve haver lugar para empates.
O que se passou no jogo entre o FC_Porto e o Sporting demonstrou que o pior da cultura portista voltou ao de cimo, havendo apanha bolas a roubar toalhas e a fazerem desaparecer bolas. Sejam do FC_Porto, do Sporting ou do Benfica, não se pode permitir comportamentos destes.
vitor.rainho@nascerdosol.pt
