A ilusão da decisão perfeita
Tememos más decisões. Deveríamos também temer as decisões tardias. Mas o que receamos, na verdade? Que se tomem más decisões? Ou que estas sejam adiadas à espera de certezas que nunca chegam?
Existe uma ideia persistente, quase confortável, de que boas lideranças são aquelas que tomam as decisões certas, como se fosse possível, no momento da decisão, ter acesso a 100% da informação relevante, medir todos os impactos e antecipar todas as consequências. Na realidade, quem lidera sabe que isso raramente acontece.
Decidir é, quase sempre, um exercício feito em condições incompletas. Há dados que não chegam a tempo, variáveis que escapam ao controlo, interesses que se cruzam e se contradizem. E, sobretudo, há uma dimensão humana, feita de contextos, perceções e emoções, que torna qualquer decisão mais complexa do que parece no papel.
Isto é tão verdadeiro no setor privado como no setor público. Num conselho de administração ou numa tutela governativa, as decisões........
