Convergências e confluências
A propósito de uma crónica recente, em que escrevi que «o acesso à cultura se constitui como um elemento de ligação mas também de desligação, na medida em que permite descortinar que há mais mundos – o que inspira a confiança na nossa herança e o respeito pela diferença», houve quem descortinasse nessa minha opinião uma ameaça à ‘portugalidade’.
O conservadorismo não é coisa recente. Nos séculos XVII e XVIII criticavam-se os ‘estrangeirados’ que, depois de viajarem para conhecerem o Iluminismo, quiseram modernizar o país e combater o atraso cultural. O mais ilustre destes foi o Marquês de Pombal…
Para Eduardo Lourenço, Portugal foi um país «importador» de cultura europeia e, paradoxalmente, um «exportador» invisível através da colonização. E, de facto, a cultura portuguesa, ou a portugalidade, não é uma imutável Magna Carta. Resultou de uma troca constante a partir de uma estrutura composta por influências cristãs, romanas e europeias. A nossa identidade foi moldada por contaminação. Há, de resto,........
