Habitação: é tempo de devolver o Porto aos portuenses
O Porto enfrenta uma emergência habitacional. Uma cidade onde trabalhar já não garante a possibilidade de viver, onde os jovens são afastados dos bairros onde cresceram e onde a classe média encontra cada vez mais dificuldades para comprar ou arrendar uma casa.Os números são esclarecedores. Em cinco anos, as rendas aumentaram 76%. Arrendar um T1 de 50 metros quadrados pode custar 950 euros mensais, enquanto o preço de aquisição atinge os 4.300 euros por metro quadrado. Um apartamento de 100 metros quadrados pode custar 430 mil euros. Valores incompatíveis com os rendimentos da maioria dos portuenses.Em 2011, o Porto tinha apenas 89 registos de Alojamento Local. Em 2026, aproximam-se dos 10 mil. O turismo trouxe investimento e recuperação urbana, mas a cidade tornou-se cada vez mais atrativa para visitar e cada vez mais difícil para viver.O Porto precisa de uma política de emergência habitacional, com medidas excecionais, metas concretas e coragem para enfrentar interesses instalados.Defendo cinco medidas prioritárias.Primeiro, travar a expansão do Alojamento Local. Durante a próxima década, não devem ser autorizadas novas licenças nas zonas de pressão habitacional. É necessário fiscalizar as existentes e promover a sua reversão progressiva, com mecanismos legalmente sustentáveis, privilegiando a conversão para arrendamento permanente. Devemos igualmente estabelecer uma moratória sobre novos hotéis nas zonas onde a utilização turística concorra com a habitação. O turismo não pode crescer à custa da expulsão dos residentes.Segundo,........
