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A Curiosidade na Era da IA

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Em 2014, Gijsbert van der Wal fotografou um grupo de jovens, focados nos seus telemóveis, enquanto sentados em frente ao extraordinário quadro de Rembrandt "A Ronda da Noite". Esta imagem tem sido usada para ilustrar o enorme impacto do telemóvel no desenvolvimento dos jovens que passaram de uma infância baseada no brincar para uma baseada no telemóvel. A disponibilidade de todo o conhecimento na palma da mão coloca no jovem a dúvida sobre a necessidade da aprendizagem e da memorização, acentuada por processos de ensino concebidos antes da existência destes equipamentos. Juntam-se agora, a capacidade do acesso em língua natural e a de realizar cadeias de raciocínio complexas para responder às questões dos utilizadores. É fácil compreender a nossa frustração, como pais e educadores, quando confrontados com o "porquê esforçar-me se a Inteligência Artificial (IA) faz melhor do que eu?".

O livro "A Geração Ansiosa", de Jonathan Haidt, explica o impacto das alterações na infância. Quando uma criança está aborrecida, o seu cérebro entra em modo exploratório para encontrar um interesse ou uma novidade, ou seja, ativa a curiosidade. O telemóvel é um bloqueador do tédio, preenchendo qualquer vazio com gratificações imediatas. A curiosidade exige concentração, o chamado estado de fluxo, onde os recursos cognitivos estão de tal forma focados que perdemos a noção da passagem do tempo. O telemóvel é um fragmentador da atenção com notificações constantes e formas rápidas de mudança se os........

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