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Clubes de leitura, cinemas independentes e concertos digitais

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01.04.2026

Há qualquer coisa de discretamente revelador no facto de, em pleno tempo de notificações permanentes, agendas fragmentadas e atenção repartida por múltiplos ecrãs, começarem a surgir, com inesperada vitalidade, pequenos grupos de pessoas que se sentam à volta de um livro e aceitam ficar ali, durante duas horas, a falar de uma mesma história. Sem urgência, sem pressa de concluir, sem a ansiedade de transformar imediatamente uma opinião em conteúdo. Uns dirão que é contra ciclo, outros que podemos estar a vislumbrar um novo tempo. Talvez os clubes de leitura tenham regressado precisamente por isso, porque oferecem uma rara forma de resistência tranquila ao ruído do presente ou até uma projeção do futuro.

Não se trata apenas de ler. Trata-se de voltar a escutar. Há poucos anos, a ideia de reunir amigos ou desconhecidos num fim de tarde para discutir um romance pareceria um gesto quase anacrónico, reservado a nichos de “nerds” ou a bibliotecas silenciosas. Hoje, multiplicam-se em livrarias, cafés, hotéis, espaços culturais e até em casas particulares.........

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