O lado impuro dos 'objetos mais puros do mundo'
Pus-me a percorrer A Rota da Porcelana por causa do anterior livro do autor, A Lebre com Olhos de Âmbar, em que ele nos conta como lhe foi parar às mãos uma coleção de 247 netsuke de marfim e de madeira, uma herança familiar que recebeu de um tio-avô que vivia no Japão.
No seu segundo livro, Edmund De Waal entrelaça mais uma vez memórias pessoais com relatos de viagens, história, trechos de documentos, descrições de objetos e pequenas reflexões, o que lhe confere um carácter especial. Mas teria o ‘ouro branco’ - perguntei-me - o mesmo poder de fascínio que os pequenos bonecos japoneses?
A Rota da Porcelana começa, como não podia deixar de ser, na China. Não é verdade que, em inglês, ‘china’ continua a ser outra forma de dizer porcelana? Mais concretamente, em Jingdezhen, onde as belas peças de cerâmica continuam a ser produzidas, mais coisa menos coisa, como há mil anos. «Nesta cidade são feitos os objetos........
