O Risco Moral do Talento: Gestão da Informação e Prevenção do Branqueamento de Capitais
Todos os anos, os bancos e as instituições financeiras processam milhões de alertas de transações suspeitas. A esmagadora maioria nunca chega a um regulador. Não porque a lei o permita – pelo contrário, a lei obriga ao reporte – mas porque quem detecta o sinal é também quem calcula, num segundo, o custo de o comunicar e perder um cliente, gerar atrito reputacional, atrasar um negócio, chamar a atenção de um supervisor sobre a própria instituição. É aqui, nesse cálculo silencioso e repetido milhões de vezes por dia em muitas geografias, que se instala o risco moral: a pessoa que decide se a informação sobe ou fica não é a que paga o preço de ela ficar.
O conceito de risco moral não é novo, nasceu no vocabulário dos seguros, para descrever o comportamento de quem, protegido de uma consequência, deixa de se comportar com o cuidado que teria se estivesse exposto a ela. Mas poucos contextos o ilustram tão bem como a gestão da informação sobre branqueamento de capitais. Quem gere essa informação, analistas, gestores de conta, responsáveis de compliance, administradores, está estruturalmente protegido do custo da omissão e exposto ao custo da denúncia. É um desenho de incentivos que, silenciosamente, empurra organizações inteiras para o lado errado da lei, sem que seja necessário que ninguém, individualmente, seja desonesto.
Agir com ética na dimensão empresarial não é falar de um código moral especial, mais brando, adaptado à dureza do mercado, como se banqueiros e gestores tivessem direito a uma régua diferente da que se aplica a um médico ou a um juiz. A ética é uma só, o........
