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Uma eleição, o fim de uma mentira, influência estrangeira e nenhum governo

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01.11.2026

«Totgesagte leben länger» é uma expressão idiomática alemã que significa que aqueles que são dados como mortos vivem mais tempo. Aplica-se como uma luva a Benjamin Netanyahu. Repetidamente, após reveses, grandes ou pequenos, ou face ao processo de corrupção movido contra ele, foi-se vindo a profetizar o fim da sua carreira. Repetidamente, conseguiu dar a volta por cima. Com algumas interrupções, governa Israel há 19 anos. E mesmo após estas eleições inconclusivas, Netanyahu parece ainda não ter chegado ao fim. O campo de Netanyahu, contrariando as sondagens, está subitamente na liderança. Não é suficiente para formar um governo, mas Netanyahu conseguiu manter-se na corrida. Assim, é ele o vencedor surpresa destas eleições.

Há, porém, uma nuvem que paira sobre estas eleições. Até esta quinta-feira parecia que 2026 ficaria na história eleitoral israelita como o ano de uma afluência árabe sem precedentes. Os partidos árabes tiveram o melhor resultado da sua história. A Lista Conjunta e o Ra’am poderão alcançar 19 deputados no Knesset, quase o dobro dos 10 que tinham. Que ‘apartheid’ tão estranho este, em que a minoria alegadamente segregada vota, faz campanha, elege quase duas dezenas de deputados. Na África do Sul de Botha estas coisas não aconteciam.........

© SOL