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Portugal digital: depois da velocidade, a confiança

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08.07.2026

Portugal entrou na Década Digital com uma vantagem que muitos países gostariam de ter: boas infraestruturas, serviços públicos digitais reconhecidos e cidadãos habituados a interagir com o Estado através de canais eletrónicos. Mas a pergunta decisiva já não é apenas se conseguimos digitalizar. A pergunta é outra: conseguimos transformar essa digitalização em valor económico, confiança pública e melhor Estado?

O mais recente relatório da Comissão Europeia sobre o estado da Década Digital em Portugal traça um retrato globalmente positivo. O país apresenta uma cobertura de redes de muito alta capacidade de 97,08%, fibra até às instalações de 95,53% e cobertura 5G global de 99,13%, valores acima das médias europeias. Nos serviços públicos digitais, Portugal também se destaca: atinge 86,41 pontos nos serviços para cidadãos, acima da média da União Europeia, e 90 pontos nos serviços para empresas, também acima da média europeia. Além disso, 82,53% dos cidadãos utilizaram a internet para interagir com entidades públicas, valor superior à média da UE.

Estes números são importantes. Revelam investimento, capacidade técnica e uma Administração Pública que, em muitas áreas, deixou de estar presa à lógica do balcão físico, do papel e da deslocação desnecessária. A digitalização do Estado é, sem dúvida, uma conquista coletiva. Permitiu simplificar processos, aproximar serviços, reduzir tempos de resposta e criar formas de relação entre cidadãos, empresas e Administração Pública.

Mas seria um erro confundir bons indicadores de acesso com sucesso pleno da transformação digital. A primeira fase foi construir estradas digitais. A segunda, bem mais exigente, é garantir que essas estradas conduzem a mais produtividade, melhor........

© SOL