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O Matuto e o Ginásio (Academia no Brasil)

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03.03.2026

O Matuto chega a casa estafado. A deitar os bofes! Depois de ter sofrido os castigos e as irrisões do universo, as insolências do chefe, a grosseria dos burros bípedes, a cretinice da burocracia; depois de ter sido preterido a favor de pessoas sem mérito, o Matuto chega em casa gemendo e suando, vítima de afrontas que nem Shakespeare ousou colocar em cena, tais como o azucrinar do trânsito, o barulho constante, a roubalheira dos preços, a corrupção generalizada (isto é o Brasil, meu chapa!), a demagogia estupidificante, todos os elementos que fazem o Matuto, bom chefe de família, arrancar a roupa, como quem se liberta de grilhões de escravo, desabar no sofá, e suspirar para que todos o ouçam na ‘Casa das Pontes’:

— Mas que m..... de dia! Puxa vida! É de encher a paciência dum santo!

E, assim, este amanuense, um vosso criado, deixa ali estirado no sofá o Matuto, esse guerreiro pós-moderno, resfolegando de indignação, gemendo e suando. E, perguntemos: o que poderá seduzir o Matuto? Talvez um sereno whiskey? Porventura uma leitura inspirativa? Um jazz... Diana Krall? Chet Baker? Paul Desmond? Sem dúvida! Todavia, este amanuense acredita que o Matuto não é........

© SOL