O Matuto e as Pilhas ao Sol
O Matuto está forrado de agasalhos. Cai uma chuva antiga e persistente. Parece enlaçar a Casa das Pontes nos seus dedos líquidos. O silêncio, lá fora, é raspado pelas humidades eternas reflectidas no asfalto. Cá dentro, o Matuto tem a alma no estado dos pássaros pousarem nela. Sereno. Deitado no ombro da solidão, pressente o primeiro café da manhã, o orvalho nos cabelos, a casa com ladrilhos estalados, a vida embaciada, à deriva, a cal do esquecimento, as janelas feitas silhuetas alucinadas no ar parado transformam os sonhos em sucata. Chuvisco tranquilo.
É 2 de Novembro, Dia de Finados no Brasil – país que tão generosamente acolheu o Matuto no seu seio. Por todo o lado, neste dia, haverá gente apressada a limpar os túmulos dos entes queridos. Braçadas de crisântemos. Molhos de rosas.........
