Apagar o Natal institucional em prol da inclusão social? Ridícula contradição
Há decisões que, pela sua aparente simplicidade, escondem questões muito mais profundas. A intenção de abolir ou descaracterizar as celebrações institucionais do Natal, alegadamente em nome da inclusão social, é uma delas.
Estamos perante mais um daqueles fenómenos da modernidade em que uma ideia nobre, a inclusão, parece estar a ser utilizada para justificar decisões que, paradoxalmente, podem produzir exatamente o contrário daquilo que anunciam: exclusão, apagamento cultural e desvalorização das tradições.
A pergunta impõe-se: desde quando é que incluir significa retirar? Desde quando é que respeitar a diversidade exige apagar a identidade de uma comunidade?
Parece que entrámos numa época em que qualquer tradição, símbolo ou manifestação cultural pode tornar-se suspeita, desde que não seja universalmente partilhada. Em vez de aprendermos a conviver com as diferenças, parece que estamos a desenvolver uma estranha tendência para eliminar tudo aquilo que possa, eventualmente, não agradar a todos.
E o Natal tornou-se um dos alvos desta nova sensibilidade institucional.
Mas que sociedade é esta que, em nome do respeito por quem não celebra o Natal, começa a questionar o direito de quem o celebra? Que conceito de inclusão é este que parece funcionar numa única direção? E, sobretudo, que instituições são estas que confundem a defesa da diversidade com a obrigação de abdicar das suas referências culturais?
Ninguém deve ser discriminado por professar outra religião, por não ter religião ou por não atribuir qualquer significado especial a esta época. A liberdade religiosa e de consciência são direitos fundamentais e devem ser respeitados em qualquer organização, pública ou privada.
Mas há uma diferença enorme entre não impor uma celebração e impedir que ela exista.
Uma coisa é garantir que todos têm liberdade para participar ou não participar. Outra, completamente diferente, é eliminar uma tradição porque se considera que a sua existência pode não representar todos.
Se seguirmos esta lógica até às últimas consequências, onde iremos parar?
Deveremos abolir todas as manifestações culturais que não sejam partilhadas por toda a população? Deveremos deixar de assinalar datas históricas porque nem todos lhes atribuem o mesmo significado? Deveremos retirar dos espaços públicos todas as referências culturais que não representem integralmente cada indivíduo?
Se a resposta for sim, então não estamos a promover diversidade. Estamos a caminhar para uma sociedade artificialmente neutralizada, sem memória, sem referências e sem capacidade de reconhecer a sua própria história.
A diversidade não se constrói pela eliminação........
