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Ocupar, resistir e participar…

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27.10.2026

Nestes últimos dias de protesto em torno das “Acampadas”, inicialmente no Porto na Praça D. João I, posteriormente na Praça do Rossio em Lisboa os jovens «ocupantes da praça» reivindicam soluções para colmatar a grave crise de habitação que alastra como peste pelas cidades de Portugal e da Europa.

Estas acções de protesto pelo direito à habitação conduzidas pelos jovens estudantes e trabalhadores, têm como leitmotiv «Não dá mais? Então monta a tua tenda?», denunciam o bloqueio político na aplicação dos instrumentos legais necessários e urgentes para acalmar a especulação e moralizar os preços dos alugueres das casas na cidade do Porto e Lisboa.

Em voz alta e participante os jovens em assembleia lembram que a habitação em Portugal ficou consagrada como direito constitucional desde a CRP76, contudo, esse direito constitucional não tem sido promovido de forma a constituir-se em políticas públicas que garantam às famílias portuguesas o acesso a uma casa digna / básica, com renda e preço justo.

Defendem os jovens ocupantes da praça que as autarquias devem ter um papel activo na definição de regras de ocupação e uso do solo urbano, recorrendo a uma política de planeamento para a cidade garantindo a equidade entres as classes e a justiça espacial.

A existência de fortes contrastes entre capital, espaço e natureza é demonstrativo de que a produção de um tipo particular de natureza e espaço no capitalismo avançado terá sido fundamental para o aparecimento de uma paisagem urbana desigual que fomenta pobreza e erosão familiar, criminalização dos pobres e dos jovens e contribui para a dessocialização do morador.

Estamos perante a construção de uma ordem social global desumana por causa dos abusos que promove e justifica, próprios de um globalismo e imperialismo neoliberal que impõe a injustiça e a pobreza como condição natural (Smith, 2020; Tarsi e Rodrigues, 2020; Hickel, 2018). Sobre as traumáticas transformações do espaço geográfico, Neil Smith (2020:17) aponta como principais causas a desindustrialização da Europa, a gentrificação e a nova divisão internacional do trabalho.

Estas consequências também se fazem sentir em Portugal e, em especial, nas cidades de Lisboa e Porto, que passam por um período de crescente valorização das actividades........

© SOL