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Portugal está refém da Constituição de 1976

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17.03.2026

Portugal vive hoje condicionado por uma Constituição que já não corresponde ao País que é, nem ao mundo em que se insere. Foi escrita num contexto revolucionário muito específico (após o golpe militar de 1974, assente em reivindicações salariais) e nunca foi verdadeiramente libertada desse enquadramento. Apesar de sucessivas revisões, continua a transportar uma carga ideológica e programática que já não reflete a realidade contemporânea.

Cinco décadas depois, o País e o mundo mudaram profundamente. Mudaram os equilíbrios geopolíticos, a economia global e a própria natureza do poder. Mas Portugal, que durante séculos esteve na vanguarda do globalismo e das inovações políticas e institucionais, permanece, em muitos aspectos, condicionado por esse momento histórico.

O exemplo mais evidente é o preâmbulo constitucional. Inexistente nas Constituições anteriores, continua hoje a afirmar o objectivo de “abrir caminho para uma sociedade socialista”.

Não se trata de um detalhe simbólico. Trata-se de uma orientação inscrita no texto fundamental do Estado.

É, por isso, legítimo perguntar: porquê? E para quê?

Uma Constituição não deve ser um manifesto político. Deve ser um quadro institucional estável, transversal a diferentes gerações e maiorias, capaz de garantir liberdade e adaptabilidade constante.

Mas o problema não se esgota aqui.

A Constituição........

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