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O Mundo Novo que Vivemos

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01.06.2026

Tenho estado mais calado porque, de facto, estou preocupado com o futuro e com o fim acelerado de muitas das verdades, equilíbrios e referências que julgávamos permanentes.

Em 2022 escrevi e registei que vivíamos cerca de 28 instabilidades e quasiguerras.

Em 2026, a realidade é substancialmente diferente. Vivemos cerca de 61 conflitos armados activos (o maior número registado desde 1946), mais de uma centena de crises políticas relevantes e dezenas de conflitos envolvendo centenas de actores não estatais espalhados pelo mundo. Paralelamente, assistimos a cerca de 67 processos eleitorais nacionais e regionais.

Mas os números, por si só, não explicam a verdadeira dimensão do problema.

Talvez a principal característica do nosso tempo seja precisamente esta: tudo parece estar ligado a tudo e quase nada pode já ser compreendido de forma isolada.

Nenhum dos conflitos vigentes será resolvido através das receitas, dos entendimentos ou das instituições que marcaram as últimas décadas. Será necessário compreender e respeitar novas geometrias de poder, novas lideranças, novos interesses e novos equilíbrios globais. Os valores do passado continuam a ser importantes, mas já não são suficientes para resolver os desafios dos nossos tempos.

Todos os continentes vivem conflitos, tensões ou disputas estratégicas relevantes. E, por isso, recordo frequentemente uma reflexão do Professor Adriano Moreira: talvez seja agora que vivemos verdadeiramente uma guerra mundial. A tal guerra global, distribuída, permanente e multifacetada.

Vivemos igualmente o fim da globalização (económica) tal como a conhecemos.

Durante décadas, o comércio internacional assentou numa premissa simples: a paz e a previsibilidade seriam suficientes para garantir a livre circulação de pessoas, mercadorias, energia e capitais. Hoje percebemos que essa realidade mudou. Surgem sanções, blocos económicos concorrentes, guerras tecnológicas, disputas energéticas, restrições comerciais e novas formas de proteccionismo.

Não se trata de uma anomalia........

© SOL