Cultura institucional
Os comentadores de tudo costumam queixar-se da nossa administração pública. Volumosa, burocrática, cartorial, pouco imaginativa, ineficaz e ineficiente. Os atrasos na decisão necessária e urgente, os erros inimputáveis, a escala hierárquica infindável, a fuga à decisão, o prolongado encerramento ao público inaugurado com a pandemia, os episódios de maus-tratos ao contribuinte, o seu elevado custo para a macroeconomia, geram aqui e ali episódios que pretendem passar da evidência anedótica à verdade científica.
Os casos negativos recolhem desproporcionada repercussão quando comparados com os episódios geradores de satisfação. Administração muito menos estudada do que devia, conhecimento em insularidade académica, inovação que em regra é mais imposta que proposta e um desrespeito absoluto pela cultura própria de cada instituição. Os ministros com ímpeto reformista, em geral vêm de fora, do privado, recheados de preconceitos, iluminados ou até estrangeirados, juntando a uma confrangedora ignorância da história o complexo de Marquês de Pombal, convencidos de que, em um mandato parlamentar, tudo se resolve com a energia e o apoio irrecusável do Sr. primeiro-ministro.
O caso........
