A Nação está num estado de desconfiança
Eis-nos chegados àquela altura do ano em que o país político finge que vai ao divã. É o calendário parlamentar que o impõe — o que, na prática, produz quase os mesmos resultados de uma consulta de psicoterapia a que só fomos porque alguém nos obrigou. Assim, antes de irem a banhos, governantes e deputados reúnem-se para uma coreografia que é sempre igual, independentemente de quem está conjunturalmente no poder. O Governo esforçar-se-á sempre por elevar o que correu bem. A oposição, pelo contrário, fará tudo o que estiver ao seu alcance para expor todas as falhas da governação. Depois, vamos todos de férias e só voltamos a pensar a sério nos problemas do país lá para setembro. É o que é.
Este ano, o país político vai de férias com duas grandes polémicas entre mãos: a dos exames nacionais e a das obras da casa do ministro da Administração Interna. Uma é, obviamente, mais grave do que a outra, mas ambas são muito reveladoras do país em que nos estamos a tornar: um país de desconfiados. E há boas razões para isso.
O caso que envolve Luís Neves arruma-se rapidamente: as explicações foram piores do que a notícia original, e 52 anos de democracia ainda não foram suficientes para os políticos aprenderem que a melhor forma de gerir uma crise é........
