Quando as obras caem, a confiança cai com elas
Muito se tem falado sobre a gestão do Governo nas recentes tempestades, mas pouco sobre as causas intrínsecas de parte da destruição.
Temos excelentes engenheiros e arquitetos, respeitados além-fronteiras, e as normas de projeto são claras e exigentes. As obras públicas, dizem-nos, são dimensionadas para durar décadas, resistir a intempéries severas e garantir segurança em cenários extremos.
E, no entanto, bastou uma tempestade (de nome Kristin), severa é certo, para que infraestruturas públicas recentes ficassem gravemente danificadas ou inutilizadas. Escolas, equipamentos desportivos (incluindo o Estádio Municipal de Leiria, remodelado e ampliado para o Europeu de futebol de 2004), instalações militares (Base Aérea de Monte Real) e redes ferroviárias, entre outro edificado público. Não são construções do século XIX nem património abandonado. São obras pagas por todos nós, em democracia, com concursos públicos, cadernos de encargos, fiscalização e garantias.
Algo aqui não bate certo.
As obras públicas não são desenhadas para ‘tempo bom’, mas para resistir ao mau tempo. Admitindo que o edificado referido foi bem projetado, então o que falhou?
Só........
