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As notas que desunem a Europa

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07.08.2026

O debate em torno das novas notas de euro pode parecer um mero exercício de design gráfico. Não é. Os símbolos de uma comunidade política nunca são detalhes. São elementos que ajudam a criar um sentimento de pertença, reforçam uma identidade comum e transmitem uma ideia de continuidade. É precisamente por isso que constitui um erro a intenção do Banco Central Europeu de abandonar o conceito que acompanhou o euro desde o seu nascimento. As actuais notas são um dos maiores sucessos simbólicos da integração europeia e não deveriam ser substituídas por um conjunto de figuras históricas nacionais.

As notas que circulam desde 2002 foram concebidas com uma inteligência rara. Não representam monumentos reais, precisamente para que nenhum Estado se sentisse privilegiado. Em vez disso, apresentam janelas, portas e pontes inspiradas nos vários estilos arquitectónicos da Europa, do românico ao moderno. Qualquer europeu consegue reconhecer nelas um pedaço da sua própria História, sem que nenhuma nação se sobreponha às restantes. É um equilíbrio notável entre identidade e neutralidade.

Agora pretende-se romper esse consenso. Algumas das propostas em discussão colocam figuras históricas concretas nas notas de euro. Ninguém questiona a dimensão universal de Maria Callas, Miguel de Cervantes ou Leonardo da Vinci. São personalidades extraordinárias, cuja influência ultrapassou largamente as fronteiras dos seus países. Mas quando se pensa neles, pensa-se........

© Sapo