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Desafiar os Números: Mulheres, Dados e Liderança nas TIC

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Num mundo crescente das tecnologias, especialmente dos dados, esta área torna-se particularmente desafiante de trabalhar e de se destacar. Olhamos para os dados como o motor do futuro, mas será que as TIC estão a conseguir acompanhar esse futuro com um ecossistema realmente equilibrado e inclusivo?

O meu nome é Sofia Habib, estudante universitária, no 3º ano de Licenciatura em Gestão de Informação na Nova Information Management School, e, atual Vice-Presidente da Junior Data Consulting, a única Júnior Empresa em Portugal especializada em Consultoria de Análise de Dados.

Uma Júnior Empresa, para dar contexto, é uma empresa gerida exclusivamente por estudantes universitários, sem fins lucrativos, com o objetivo de aproximar os mesmos do tecido empresarial através de projetos reais, para problemas reais. Em poucas palavras, a definição é esta. Mas a realidade vai muito além do conceito. Acaba por ser, especialmente para uma júnior empresária, a combinação da vontade de inovar e de fazer sempre mais e melhor com a resiliência de quem ainda está a aprender passo a passo a crescer, tanto a nível profissional mas como pessoal. No meu caso específico, ao procurar representar as mulheres nas TIC, o padrão repete-se, mas com uma camada extra de responsabilidade: de um lado, o compromisso de entregar soluções na área dos dados pautadas pela excelência, a grandes empresas; do outro, a missão de gerir uma estrutura robusta e unida. É provar assim, todos os dias, que a nossa excelência não conhece género.

Mas, ao olharmos para os dados de 2025 com espírito crítico, percebemos que os números contam uma história de contraste: embora nós, mulheres, representamos a maioria no ensino superior em Portugal, com cerca de 54% do total dos estudantes, o cenário inverte-se assim que cruzamos as faculdades na área da tecnologia, ao passarmos para uma representação de 21%. Esta queda logo na base é o primeiro sinal de ‘afunilamento’ que segue para o mercado de trabalho, onde somos apenas 23% dos especializados na área e onde, em cargos de liderança no topo, travamos nos 27%. Curioso certo? A interpretação que daqui podemos retirar é clara: o talento existe e domina as universidades, mas parece ‘perder-se’ ou ser travado assim que chegamos às TIC.

Assim, e a meu ver, estes KPIs não podem ser lidos apenas como estatísticas, como números puros: devem ser o ponto de partida para questionar o que falta e, acima de tudo,o que estamos a fazer para mudar, começando precisamente aqui, onde eu estou, em lugares como o Movimento Júnior Português, que nos permitam ter mão e moldar o futuro.

Nesta fase do meu percurso, ao assumir um cargo de liderança, é muito mais do que ‘ter o cargo’: é desafiar as estatísticas todos os dias. É provar que o nosso conhecimento técnico é tão forte quanto a nossa visão estratégica e que, nas TIC, liderar uma estrutura destas já é, por si só, um ato de inovação. Inovar com propósito é preparar e fomentar uma cultura data-driven para ir além dos números e do alcançável, ao procurar sempre gerar impacto real em projetos, empresas e, acima de tudo, em pessoas. A Junior Data Consulting, funciona assim como este ‘Hub de Inovação’. Aqui, asseguramos que a inovação que entregamos aos clientes começa de dentro para fora, seja na forma como gerimos equipas, orçamentos e prazos. É este ecossistema que nos convida a impactar o mercado antes mesmo de terminarmos a licenciatura. Que nos permite apreender, mas acima de tudo crescer.

Com isto, deixo assim o convite às jovens que, como eu, querem desafiar os números: arrisquem. Somos nós que carregamos a responsabilidade de ser a próxima geração de gestoras e de líderes, e isso exige que façamos diferente. Exige que tenhamos a coragem de tentar, falhar e aprender, mas, no fim do dia, a certeza de que estamos a moldar o futuro.

(*) Vice-Presidente da Junior Data Consulting e aluna finalista da licenciatura de Gestão de Informação da Nova IMS


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