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Não. Uma rua para peões não tem de ser sempre uma rua esplanadizada

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30.06.2026

Existe um grande equívoco que se instalou no uso do espaço público em Lisboa e que importa desfazer com clareza: o de que "pedonalizar" uma rua significa, quase automaticamente, entregá-la a esplanadas. Confunde-se devolver a rua aos peões com transformá-la em sala de jantar ao ar livre e essa confusão tem um preço que os moradores - os que ainda resistem nessas ruas - pagam todos os dias.

Uma rua para peões deve ser, apenas e sempre, isso mesmo: uma rua para andar a pé, para passar com um carrinho de bebé ou uma cadeira de rodas, para parar a conversar, para a criança brincar, para o idoso se sentar num banco sem ter de consumir nada para lá estar. Não tem de ser, por imposição, uma rua para restaurantes. E muito menos tem de ser combustível para alimentar a ultraturistificação radical que tem vindo a esvaziar bairros inteiros de Lisboa.

O próprio Manual do Espaço Público da Câmara Municipal de Lisboa reconhece esta evidência de que a rua é um espaço para viver não apena um espaço de consumo. É verdade que, frequentemente, Câmara Municipal e Juntas de Freguesia se esqueçam desta natureza pública do espaço de rua e que (palavras do Manual) que a rua é, antes de tudo o mais, um "elemento estruturante e agregador do espaço público da cidade" e que as suas funções urbanas tradicionais (ponto de encontro, local de trocas, espaço de ligação, etc.) não se esgotam na apropriação pela atividade privada, lucrativa (nada contra) da restauração. O mesmo documento recorda........

© Sapo