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Jovens com cabeça de ancião

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31.08.2026

Esta semana, enquanto ouvia uma rádio, deparei-me com uma notícia que julguei saída da RDP Antena 1 Memória, tal o anacronismo das palavras de uma jovem líder de uma associação nacional de estudantes. Há algo de profundamente trágico quando a juventude, em vez de ser força de rutura, abertura e mérito, se transforma na primeira linha de defesa dos privilégios mais injustificáveis: aqueles que não resultam do talento ou do risco, mas da posição ocupada e da perpetuação de barreiras à entrada.

Em Portugal, assistimos com inquietante regularidade a este paradoxo: dirigentes associativos que deveriam encarnar a irreverência do futuro, mas que falam com a voz cautelosa e defensiva do corporativismo mais bafiento. Têm idade de estudante, mas raciocinam como anciãos receosos da concorrência e da possibilidade de verem desafiadas posições adquiridas.

O exemplo da liderança da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) é paradigmático. Sempre que se debate a abertura de novos cursos, a criação de faculdades privadas ou o aumento de vagas, a resposta surge articulada em piloto automático: “não há condições”, “vai perder-se qualidade”, “falta planeamento”. Argumentos com roupagem técnica que ocultam o pavor de sempre: a perda da exclusividade. O medo de que a abundância de profissionais reduza o poder de........

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