menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Manifs e motins. Vivemos um tempo Roosevelt / De Gaulle, precisávamos de Reagan e Thatcher para nos orientarem

26 0
17.10.2026

Basta ver notícias – em qualquer lado, nos meios tradicionais ou nas redes sociais – para perceber que o Ocidente está todo a ler pelo mesmo guião. Dos bloqueios às escolas que deram em motins em França, com caixotes do lixo e pessoas incendiados e contágio imediato à Bélgica, ao "No Meloni Day" em Itália, passando pelos acampamentos e manifestações de massas em oposição ao “custo de vida e habitação” em Espanha e Portugal, passando pelos desacatos na Albânia, terminando na fervorosa agitação em vésperas das eleições intercalares norte-americanas, a rua ocidental entrou numa ebulição sincronizada ao milímetro.

Não é preciso recorrer a teorias da conspiração para explicar esta coreografia. Trata-se de uma convergência ideológica e operacional bem à vista. Sob o chapéu da chamada "agenda verde" de matriz neomarxista – a velha "melancia" política, verde por fora, vermelha por dentro –, assistimos à fusão de todas as causas numa única "omnicausa" anticapitalista e anti-ocidental (cujo melhor rosto será Greta Thunberg, personagem que, aparentemente, tem por causa… todas as causas). Seja a emergência climática, o preço das casas em Lisboa e Madrid, a escola pública em Paris ou a geopolítica no Médio Oriente, o diagnóstico gritado nos megafones é rigorosamente o mesmo: a culpa de todos os males é do “mercado livre” e do "capitalismo extrativista". A solução mágica, dizem, passa sempre por mais dirigismo estatal, fixação coerciva de preços, expropriações e decrescimento económico.

Como é que chegámos a este ponto de degradação? É que a extrema-esquerda, perdão, a esquerda – na realidade já não há diferenças aqui – está apenas a fazer o seu trabalho histórico de agitação e sabotagem, aproveitando um vazio de poder e de ideias.

O verdadeiro culpado por este pântano é o "bloco central" europeu e norte-americano.

Depois de ter beneficiado dos frutos extraordinários da revolução liberal de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, que esmagou a estagflação dos anos 70, gerou décadas de prosperidade inédita e derrotou a União Soviética sem disparar um tiro, o centro político acobardou-se, rendeu-se ao estatismo burocrático e vendeu a alma dos valores e das ideias a quem, por princípio, combate qualquer chão comum de diálogo. O preço? O poder imediato e uma paz podre que só........

© Sapo