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Quem tem medo de André Ventura?

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24.01.2026

As eleições presidenciais de 1986, cuja segunda volta conheceria os candidatos Mário Soares e Freitas do Amaral, do ponto de vista da esquerda, grosso modo, correspondiam à escolha entre a democracia e o fascismo, respetivamente. O fundador do CDS, partido da democracia-cristã, ou seja, e de acordo com os estatutos e conteúdos programáticos, um partido de centro, foi rebocado para o lado da extrema-direita (salazarista e marcelista), enquanto Soares, mesmo à custa de um Cunhal contrariado, seria o arauto da nova vaga saída da Revolução e que, a pouco e pouco, com passos lentos, se encarregaria de trazer o país para as luzes da democracia liberal.

Com diferentes protagonistas, a eleição do próximo dia 8 de fevereiro, também uma segunda volta, é vista por muitos (alguns, os mesmos dos anos oitenta) como uma repetição de moldes: Seguro contra Ventura é uma contenda entre democracia e ditadura.

Se os socialistas da altura não perdoavam ao partido centrista o repúdio oficial da Constituição, também presentemente os herdeiros diretos daqueles acusam o Chega e o seu líder da mesma atitude em relação à lei fundamental da República. A sacralização desse texto, identificado desde a conceção com o Socialismo - apesar das revisões realizadas -, continua a pautar a esquerda que, sem qualquer escrúpulo, se serve dele como arma de arremesso contra qualquer pretensão de novas alterações – isto é, desde que encabeçadas pela extrema-direita (léxico seu), isto é, operadas por um partido que........

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