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Great and unfortunate things, a (curta) vida de Jason Arday

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17.08.2026

Great and Unfortunate Things é o título do livro que Jason Arday, através da editora Simon & Schuster, se preparava para lançar muito brevemente. A campanha de promoção do livro de memórias estaria já preparada para o terreno no penúltimo fim de semana, quando surgiram de forma sustentada as dúvidas e acusações sobre a vida e a obra académica do autor britânico, levando ao cancelamento daquela. A notícia da sua morte, no passado dia 14 de agosto, veio fazer fervilhar um caso já de si polémico e emotivo: a favor ou contra, as opiniões raramente permanecem neutras e a crença ou a ideologia tentam ganhar espaço nas mentes mais sensíveis em detrimento do bom senso. Tentarei fazer melhor.

O caso é conhecido: os meios de comunicação social, comentadores e analistas já entregaram, com maior ou menor viés, os factos principais. Uma jovem estrela em ascensão na Academia, o mais jovem negro a ser nomeado professor em Cambridge (37 anos), autista e filantropo, filho de emigrantes ganeses, desapareceu de forma súbita, deixando a discussão a pairar unicamente sobre os vivos: os feitos e as glórias autoproclamados seriam reais ou fruto de uma personalidade ambiciosa e sem escrúpulos? Plágios, mentiras e aproveitamento woke encontram-se entre as acusações que recaíam sobre Arday no dia do seu desaparecimento. Sob todos os aspetos, a ser verdade o currículo apresentado pelo próprio, tratar-se-ia de uma entidade extraordinária, cujos obstáculos e adversidades foram sucessivamente ultrapassados, chegando ao ponto de parecer legítimo falar de milagre. Uma espécie de Jesus negro contemporâneo que, tal como o original, veio demonstrar a toda a humanidade o impossível, o irrepetível e o impensável nas suas múltiplas dimensões. Se eu fosse jornalista, diria algo nestes moldes: até ao momento em que escrevo estas........

© Sapo