A fome de livros que ninguém vê
Quando falamos de leitura em Portugal, falamos quase sempre de quantidade. Quantos livros se leem, quantos se compram, se o hábito cresce ou recua. Os dados mais recentes dizem que 76% dos portugueses leram pelo menos um livro em 2024, ainda que a média por pessoa tenha descido para 5,3 e que o mercado editorial tenha crescido 9%, para 204 milhões de euros. São números úteis. Mas respondem todos à mesma pergunta e ignoram uma anterior: para quem é que o livro foi, sequer, fabricado.
Toda a cadeia do livro, do autor à gráfica, da editora à livraria, parte de um leitor presumido. Esse leitor vê, ouve, segura o volume e decifra a página impressa sem esforço. Para quem não cabe nesse molde, o livro muitas vezes não chega a existir numa forma utilizável. Não é uma porta fechada. É uma ausência, mais........
