Maio: O que ficou por dizer sobre a mulher
Maio. O quinto mês do ano, com a natureza ao rubro. Há uma geometria poética neste calendário: a letra M, que abre o mês, é a mesma que inaugura as palavras Mãe e Mulher.
Mas,o que é, afinal, uma mulher? A biologia dá-nos pistas mas esse campo, hoje, é uma trincheira invadida por ideologias que há décadas sequestram o debate.
Pergunto-o no sentido da tradição e exigência da palavra: o que é uma mulher enquanto ser humano completo, com uma dignidade que não precisa de ser comparada, uma força que não precisa de imitar ninguém, e uma vocação que não é determinada pelo mercado, nem pelo Estado, nem pela última corrente cultural que passou nas redes sociais?
O que as ideologias fizeram ao feminino
É paradoxal o debate contemporâneo. Nunca como agora se falou tanto da mulher e nunca, como hoje, se perguntou tão pouco o que ela realmente é.
A primeira vaga feminista teve razões históricas legítimas. Combateu exclusões reais e verdadeiramente relevantes como o direito ao voto, ao trabalho, à propriedade, à educação. O movimento estava do lado da dignidade humana. Mas alguma coisa mudou. O feminismo, especialmente nas suas formas mais recentes, deixou de perguntar o que é a mulher para se centrar em fazer da mulher o equivalente funcional do homem. A igualdade de direitos transformou-se, imperceptivelmente, numa luta contra a diferença.
O resultado é muito curioso. A ideologia que nasceu para libertar a mulher, acabou por lhe dizer, com autoridade, o que ela deve querer, o que deve valorizar, como deve medir o seu sucesso. Trocou uma prisão por outra — mais iluminada, mais académica, mas igualmente sem liberdade. A mulher que escolhe ficar em casa a cuidar dos filhos é olhada com condescendência, como se tivesse abdicado de si própria. A que prioriza a maternidade sobre a carreira enfrenta uma espécie de culpa difusa e olhares desconfiados. A que encontra sentido profundo na entrega total à família ouve bem alto que desperdiçou o seu potencial. A que se dedica totalmente ao trabalho e à sua carreira é classificada como egoísta por uns e como progressista por........
