A reconquista de Ceuta
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Ceuta e Melilla são duas aberrações geopolíticas. Tornaram-se território português em 1415 e passaram para Espanha em 1580, a quando da integração ibérica, e Filipe II tornou-se rei de toda a Península. Continuaram espanholas em 1640, quando Portugal restaurou a sua independência. Em 1956 o reino de Marrocos tornou-se independente, e assim as duas cidades passaram a ser enclaves – os únicos territórios europeus no Norte de África.
Além disso Ceuta fica a 17-19 km da Espanha continental, uma distância que pode ser percorrida a nado. Não surpreende que regularmente haja quem tente fazer a travessia. Em 2014, 2021 2 2022, deram-se autênticas maratonas de migrantes (em 2021 foram dez mil) a tentar a sorte. Nada que se compare com o que aconteceu a 31 de Julho deste ano, quando uma multidão calculada em 60,70 ou 80 mil pessoas, incluindo muitas crianças, se fizeram ao mar e duplicaram a população de Ceuta, calculada em 60 mil espanhóis.
Ceuta e Mellila são territórios mínimos, que nada produzem, isolados por duas cercas paralelas de seis metros de altura, com arame farpado no topo. A nível governamental, Marrocos tem pedido sistematicamente para ficar com estes enclaves, ao que a Espanha alega que já são territórios seus muito antes de Marrocos existir – uma justificação bastante arrogante e estúpida, a nosso ver, e que um dia terá que ser resolvida. Enquanto os dois poderes não se entendem, a nível pessoal milhares de migrantes saltam as cercas, com a esperança de chegar a território espanhol continental. Não há estatísticas de quantos já tentaram e quantos morreram. Mas não são maioritariamente marroquinos.........
