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Tempestades, casas e dados: por que o Open Insurance deve entrar neste debate

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01.04.2026

As tempestades que marcaram o início deste ano em Portugal fizeram mais do que provocar danos materiais. Trouxeram para o espaço público uma realidade incómoda: milhares de casas continuam sem proteção adequada face a riscos que já não são excecionais.

Durante anos, o tema do seguro multirriscos habitação foi discutido no setor segurador de forma bastante técnica e distante do consumidor. Mas os acontecimentos recentes mudaram isso. O debate saiu dos fóruns especializados e entrou, finalmente, na agenda pública. E os números ajudam a perceber porquê.

Estima-se que apenas cerca de metade das habitações em Portugal tenha algum tipo de seguro. E, mesmo dentro desse universo, uma parte significativa tem apenas coberturas mínimas, frequentemente desajustadas do risco real. O exemplo do risco sísmico é particularmente revelador: apenas cerca de 19% das casas estão protegidas contra tremores de terra, de acordo com dados da Associação Portuguesa de Seguradores.

Mas há um problema ainda mais silencioso: o subseguro. Em muitos casos, o capital seguro está abaixo do valor de reconstrução do imóvel, o que significa que, mesmo existindo seguro, a proteção pode não ser suficiente quando é mais necessária.

Hoje, há um consenso alargado sobre o diagnóstico. A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões está a trabalhar no tema, o Parlamento discute soluções e os especialistas multiplicam análises. Mas grande parte das soluções em discussão foca-se na regulação, na obrigatoriedade de coberturas ou em modelos de mutualização do risco.

O momento exige uma visão integrada, que considere regulação, mercado, tecnologia, distribuição e comportamento do consumidor. Exige também colaboração entre os vários intervenientes da cadeia de valor, pois........

© Sapo