Teodoro e o fecho éclair
O Professor Teodoro Ramalho tem algumas reservas quanto à velocidade. Não à dos comboios — desde que antigos — nem à dos cavalos, que considera uma forma digna de pressa. Refere-se à velocidade em geral, essa doença moderna.
Foi por isso que certa manhã, ao contemplar o fecho éclair dumas calças, abandonadas numa cadeira da Vila Berta, Teodoro teve uma revelação.
— Eis uma das maiores invenções da humanidade — sentencia.
Não. Não seria a roda, a imprensa, a máquina a vapor, o carro, o arranha-céus, o clip, a esferográfica, a bebida gasosa, a TV, a ventoinha, o guarda-chuva, a minissaia, a escada rolante, a saqueta de chá, ou sequer o charuto, enumera Teodoro com o seu gosto borgesiano pelos inventários absurdos. Umberto Eco dizia que a invenção do milénio teria sido o feijão. Será!?
Teodoro alinhava, com Alison Lurie, pelo fecho éclair. Objeto extraordinário: pequeno, discreto e dotado de uma ambição que poucas invenções tinham: abrir e fechar o mundo em........
