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Teodoro e a Noiva do Pirata

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14.07.2026

O Professor Teodoro Ramalho sentou-se, como tantas vezes, na velha Cervejaria Palmeira, à Rua do Crucifixo. O Sr. Sousa serviu-lhe a imperial e uma dose das famosas batatas fritas. Sacou do bolso um charuto Montecristo. Deu-lhe lume serenamente. Teodoro acredita na ordem natural das coisas simples; dos pequenos gestos realizados sem pressa.

Enquanto observava o vaivém da Baixa, começou-lhe a tocar uma canção na memória.

"Joga pedra na Geni. Joga bosta na Geni. Ela é feita pra apanhar. Ela é boa de cuspir."

Teodoro sempre achara extraordinário que uma das mais belas canções da língua portuguesa tivesse sido escrita sobre a mulher mais desprezada da cidade.

A arte possui este estranho hábito de nos obrigar a olhar para aqueles que normalmente atravessamos sem ver.

Aristóteles dizia que a tragédia purifica a alma pela piedade e pelo temor. O Professor nunca soubera explicar a catarse em linguagem filosófica. Mas desconfiava de que consistia precisamente nisto: sair de um teatro, fechar um livro ou terminar uma canção gostando um pouco mais da humanidade do que quando nela entrámos.

Geni consegue esse milagre.

Em toda........

© Sapo