5 milhões de euros, uma admoestação e o cadastro ambiental do Sr. Jerónimo
Agora a entrar na época balnear de 2026, o Sr. Jerónimo já está habituado a que esta não seja, para ele, propriamente uma temporada de acalmia.
Com a campanha de fertirrega a todo o vapor, os últimos tratamentos fitossanitários que têm de ser despachados para cumprir o intervalo de segurança, a preparação para a colheita e, em pleno agosto, a começar a própria da colheita, o Sr. Jerónimo já não estava a contar com mais do que um ou dois fins de semana de praia no Algarve.
A sua mulher vive resignada com a situação… já os filhos geralmente são despachados para colónias de férias, casa dos avós ou férias com os primos. É um mundo que parece estranho para o típico veraneante protagonista da silly season, mas já é rotina para quem se rege pelo frenético ritmo da Mãe Natureza.
Estando preparado para encarar as agruras do ofício que escolheu, o Sr. Jerónimo não estava ainda assim à espera de que mais um dos ditos “serventes” públicos quisesse “despachar” uns pendentes antes da sua saltada para as estâncias balneares. Mas despachou.
Talvez despachar não seja o termo mais adequado, visto que o dito funcionário estava meramente a dar seguimento a um despacho, seu, de 2 de agosto… de 2022. Ao qual obteve resposta a 20 de agosto… do mesmo ano.
Esse despacho – pasme-se quem não conheça a agricultura ou, na realidade, qualquer outra atividade económica em Portugal – era, na verdade, uma multa ou “Mandado de Notificação do Processo de Contraordenação”.
Depois de apresentar uma defesa que julgava sólida e detalhada, o Sr. Jerónimo assumiu que o alegado mal-entendido teria ficado esclarecido. Ou, pelo menos, que o processo acabaria, intencionalmente ou não,........
