De Ormuz a Bruxelas: onde se decide o Poder
Donald Trump, a pedido do Paquistão, que tem acolhido as negociações e assumido um papel activo de mediação, autorizou uma prorrogação do cessar-fogo inicialmente estabelecido. Segundo Islamabad, esta extensão permitirá ao Irão “organizar-se internamente”, num momento em que o regime debate até onde estará disposto a ceder para alcançar um acordo duradouro. Teerão, contudo, mantém uma posição firme: não haverá negociações enquanto os Estados Unidos não levantarem as restrições às exportações de petróleo, ao regresso dos petroleiros e à navegação comercial nos seus portos, incluindo limitações no Estreito de Ormuz. Até ao momento, dezenas de embarcações foram impedidas de operar e pelo menos um cargueiro com material sensível foi detido.
A estratégia americana continua a assentar na asfixia económica do regime iraniano, mas aqui emerge um erro de leitura profundo: a natureza do regime em Teerão não é apenas política ou económica, é estruturalmente ideológica. A hostilidade face aos Estados Unidos não é circunstancial; é parte integrante da identidade do regime, ancorada num nacionalismo religioso e num fervor revolucionário que escapa frequentemente à lógica estratégica ocidental. Penso que os EUA nunca compreenderam que a essência do regime iraniano é o ódio aos Estados Unidos, ligado a um nacionalismo religioso e a um fervor islâmico que nem os apoiantes do MAGA conseguem compreender. Os americanos simplesmente não compreendem este nível de intenso autossacrifício e compromisso. Ao mesmo tempo, a posição americana no Médio Oriente começa a revelar sinais de erosão. A presença prolongada de forças dos EUA está a desgastar a sua aceitação regional. Nos bastidores, vários países árabes ajustam silenciosamente as suas estratégias. O facto de terem permitido o uso das suas bases contra o Irão é visto em Teerão como uma traição, e dificilmente será repetido nas mesmas condições.
Sinais dessa mudança já emergem nos Emirados Árabes Unidos. Vozes influentes,........
