E depois da injeção milagrosa, como abordar a gestão do peso?
Há números que dizem mais do que muitas campanhas de comunicação: em setembro, um dos principais produtos utilizados correntemente para perder peso, o Mounjaro (Tirzepatida), ultrapassou, num único dia, um milhão de euros em vendas nas farmácias portuguesas. Mais de 3.000 embalagens vendidas em apenas 24 horas. É um indicador impressionante da velocidade a que os medicamentos para a obesidade entraram no quotidiano dos portugueses.
Mas, enquanto discutimos este fenómeno, talvez estejamos a fazer a pergunta errada.
A pergunta, creio, não deveria ser apenas “quanto peso se consegue perder com um fármaco GLP-1?” (a categoria técnica a que pertence este e outros medicamentos correntemente utilizados, como o Ozempic/WeGovy), mas antes: “o que significa, hoje, tratar a obesidade?”.
Estamos perante, inquestionavelmente, uma mudança de paradigma.
Durante décadas, a perda de peso foi frequentemente apresentada como uma questão de disciplina individual: comer menos, mexer-se mais e ter força de vontade suficiente para manter essas decisões. Sabemos hoje que esta visão é........
