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A sombra de Centeno no Banco de Portugal

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16.03.2026

A saída de Mário Centeno do Banco de Portugal não é apenas uma nota administrativa, é um ato de afirmação de poder interno e externo do governador Álvaro Santos Pereira, que comporta riscos políticos, institucionais e simbólicos. O ECO revelou em primeira mão que o Banco de Portugal e Mário Centeno chegaram a um acordo para a saída do ex-governador e atual consultor para a reforma aos 59 anos e com a pensão por inteiro, entre os 15 mil e os 17 mil euros brutos, mas acompanhada de outra informação não desmentida: A iniciativa partiu de Álvaro Santos Pereira e foi aceite por Centeno.

Centeno, recorde-se, foi ministro das Finanças do PS, transitou diretamente para governador do Banco de Portugal, e pelo meio aspirou a ser líder do Governo sucedendo a António Costa e até candidato a Presidente da República com o apoio do PS. Ironicamente, já como ex-governador, tentou uma candidatura a vice-governador do BCE, e teve o apoio do Governo que o tinha afastado meses antes, mas a possibilidade ficou pelo caminho. É evidente, assim, o perfil político e até partidário de Centeno e, tendo em conta este retrato, também é fácil perceber a capacidade do ex-governador e o potencial ruído interno, uma espécie de ‘dois papas’ no Vaticano… Centeno defendera publicamente, em setembro de 2025, que continuaria na casa, invocando uma carreira de 35 anos na instituição.

Quando um ex-governador com este peso sai assim, poucos meses depois da entrada de um novo líder, não estamos perante uma decisão de rotina, estamos perante uma rotura decidida no topo. Dito isto, a solução........

© Sapo