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Envelhecer bem: o que a ciência já descobriu sobre a longevidade feminina

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A medicina da longevidade procura responder precisamente a esta questão: como viver mais tempo com saúde, autonomia e qualidade de vida. Hoje sabemos que o envelhecimento não depende apenas da idade cronológica. Existem biomarcadores que medem a idade biológica do organismo e fatores modificáveis capazes de acelerar – ou abrandar – este processo.

O que significa realmente envelhecer bem

Envelhecer bem significa manter capacidade física, equilíbrio metabólico e função cognitiva ao longo do maior número possível de anos.

Para avaliar esse processo, investigadores utilizam vários indicadores. Um dos mais conhecidos é o Frailty Index, que avalia a acumulação de défices físicos e cognitivos ao longo da vida. Curiosamente, as mulheres apresentam valores mais elevados deste índice em praticamente todas as idades, apesar de terem menor mortalidade.

Nos últimos anos surgiram também os chamados relógios epigenéticos, testes que analisam padrões de metilação do DNA e estimam a idade biológica.

Entre os mais estudados encontram-se PhenoAge, GrimAge e DunedinPACE. Estes marcadores associam-se ao risco de doença, incapacidade e mortalidade. Estudos mostram que um aumento de um desvio-padrão na velocidade de envelhecimento medida pelo DunedinPACE pode aumentar o risco de doenças ósseas entre 29% e 217%.

Outro conceito importante é a carga alostática, que integra vários parâmetros fisiológicos — como inflamação, glicemia e função renal ou hepática — e que muitas vezes se correlaciona melhor com saúde global do que a própria idade cronológica.

O paradoxo feminino da longevidade

Apesar de viverem mais tempo, as mulheres apresentam maior prevalência de doença crónica. Este fenómeno é conhecido como paradoxo saúde-sobrevivência.

Parte da explicação está no tipo de doenças que cada sexo desenvolve. Os homens têm maior risco de patologias que levam diretamente à morte, como doença cardiovascular grave, doença pulmonar ou alguns tipos de cancro.

Já as mulheres desenvolvem mais frequentemente doenças que provocam incapacidade prolongada, como artrite, hipertensão ou doenças autoimunes.

O grande ponto de viragem: a menopausa

Entre todas as fases da vida feminina, a menopausa representa um momento de transição biológica particularmente importante. A diminuição dos níveis de estrogénios provoca alterações profundas no metabolismo, na composição corporal e na saúde óssea.

Alguns estudos sugerem que alterações metabólicas associadas à menopausa podem explicar grande parte da associação entre menopausa e aumento da idade biológica.

Os principais aceleradores do envelhecimento

Alguns fatores parecem acelerar de forma significativa o envelhecimento biológico nas mulheres, nomeadamente obesidade e obesidade sarcopénica, menopausa precoce ou histerectomia e níveis elevados de stress crónico.

Preparar o envelhecimento antes dos 40

A evidência científica mostra que as estratégias de prevenção devem começar relativamente cedo — idealmente antes dos 40 anos.

Entre as intervenções com maior impacto comprovado encontram-se exercício físico estruturado, alimentação de padrão mediterrânico, controlo metabólico adequado, sono regular e cessação tabágica.

Que exames fazer a partir dos 40 anos

Após os 40 anos, a medicina preventiva passa a ter um papel central. O rastreio deve incluir avaliação cardiometabólica regular, com análises como glicemia, HbA1c, perfil lipídico, função renal e hepática e marcadores inflamatórios.

A avaliação clínica inclui também pressão arterial, índice de massa corporal e perímetro abdominal. Alguns exames de imagem permitem identificar alterações estruturais precoces, entre eles ecografia da tiroide, ecografia abdominal, ecografia renal, ecografia pélvica, ecografia vesical, ecografia mamária, mamografia, ecocardiograma e densitometria óssea.

A medicina da longevidade hoje

A medicina preventiva moderna combina estratégias tradicionais com abordagens da medicina funcional e integrativa. Entre as terapias utilizadas em algumas clínicas de longevidade encontram-se ozonoterapia, oxigenoterapia hiperbárica, fotobiomodulação com luz LED, terapia endovenosa com vitaminas e antioxidantes e terapias regenerativas como PRP.

Entre os fármacos estudados nesta área, a metformina é atualmente o que apresenta melhor evidência clínica documentada, sobretudo na prevenção de diabetes e na melhoria de parâmetros metabólicos associados ao envelhecimento.

O que acontece numa consulta de medicina preventiva

Uma consulta de medicina preventiva começa com uma avaliação global do estado de saúde, incluindo estratificação de risco cardiovascular, metabólico, ósseo, cognitivo e hormonal.

Com base nessa avaliação é definido um plano personalizado que pode incluir exercício estruturado, plano nutricional, suplementação dirigida, modulação hormonal bioidêntica quando clinicamente indicada e monitorização periódica de biomarcadores.

Checklist prática de longevidade feminina

Manter exercício regular (treino de força e atividade aeróbica)

Seguir um padrão alimentar mediterrânico

Controlar peso e saúde metabólica

Dormir entre 7 e 8 horas por noite

Realizar rastreios e exames preventivos regularmente


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