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Saber recuar

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O ar não é vermelho, acrescenta ele, é castanho — uma referência evidente ao período nazi. Esta degradação democrática vem de longe, já está numa fase mais adiantada em França, mas também em Espanha, certamente em Itália e, claro, em Portugal.

É por esta razão que a violência sobre os manifestantes que temos visto na Praça do Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, é não apenas um absurdo — é a prova de uma escolha securitária e de uma cedência obscena da AD ao cheganismo. Nunca deixa de me espantar o que um homem faz para chegar ou manter-se no poder — as eleições deveriam ser ganhas por quem consegue juntar e unir, não por quem divide para confundir e depois ganhar. Montenegro largou o centro, abdicou da moderação ao primeiro aperto, não soube esperar por uma solução sem cacetetes e cães. O soberanismo, o nacionalismo e o autoritarismo são tudo reações de um governo — e de um povo — gasto e muito enfraquecido.

Há dias um amigo disputou as ideias que........

© Sapo