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Uma paisagem no bolso

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18.02.2026

Quando me mudei para o campo não conhecia a maior parte da fauna e da flora que compõem a paisagem onde vivo há mais de dezassete anos. Era, para citar Clara Obligado em Todo lo que crece, “analfabeto da paisagem”. Aos poucos, fui conhecendo os nomes do que me rodeia, algo que cria reconhecimento e pertença.

Saber nomear é uma demiurgia, pois revela aquilo que sem nome é indistinto. A paisagem torna-se viva, deixa de ser um conjunto anónimo de coisas, mas uma rede de relações que conversa connosco.

A certa altura, Clara Obligado pergunta:

“E se cada vida fosse uma paisagem? Se fôssemos planícies, selvas, dunas?”........

© Sapo