Bolos, raposas e laços
Alguns dos meus familiares tentam reproduzir muitos dos pratos que as minhas avós cozinhavam (eu incluo-me nesse grupo). Com isto cria-se um fio ritual, uma repetição rítmica que preconiza um tempo eterno, onde se regressa à essência. Não é apenas retornar à memória de infância, também faz com que nos aproximemos dos nossos antepassados ou familiares, garantindo nessa sucessão uma continuidade comum. Repetir determinada receita ressuscita os nossos mortos.
A receita familiar implica maneirismos únicos e identitários. Em nossa casa fazemos assim e este modo é considerado, sem qualquer corroboração lógica ou empírica, o melhor. Aliás, não só é o melhor como é o certo.
Em The Path, de Michael Puett, lemos que "todos temos certos ‘rituais’. Seja uma chávena de café pela manhã, jantares em família, a noite de encontro regular de um casal às sextas-feiras ou umas corridas às cavalitas com os filhos antes de dormir: consideramos estes momentos importantes porque dão continuidade e significado às nossas vidas e nos ligam a quem amamos”.
Quando o principezinho conhece a raposa, diz que gostaria de brincar com ela. A raposa diz-lhe que........
