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Uma década para fazer o trabalho de um século

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21.07.2026

Os economistas não são conhecidos pelo alarmismo. A sua profissão vive de modelos, de cautelas metodológicas, do eterno "por um lado, por outro lado" que tantas vezes exaspera quem lhes pede respostas claras. Por isso, quando mais de duzentos deles, incluindo dezasseis laureados com o Prémio Nobel, assinam uma carta aberta a exigir que as instituições "ajam agora" perante a inteligência artificial, o gesto merece mais do que um encolher de ombros.

A carta, organizada pelo laboratório de economia digital da Universidade de Stanford e divulgada recentemente, tem apenas quatro frases. E é precisamente na sua brevidade que reside a força. Não há cenários apocalípticos nem robôs a exterminar a humanidade. Há uma constatação sóbria: a IA pode tornar-se radicalmente mais poderosa na próxima década e provocar uma transformação económica maior do que a Revolução Industrial, mas condensada num intervalo de tempo drasticamente mais curto.

É esta compressão temporal que deveria tirar o........

© Sapo