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4 poemas de Mao Zedong para relembrar os 50 anos de seu falecimento

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11.09.2026

Em 9 de setembro de 1976, morreu Mao Zedong, fundador da República Popular da China e uma das figuras políticas mais importantes e controversas do século XX. Cinquenta anos depois, sua trajetória continua sendo objeto de intensos debates históricos, políticos e acadêmicos. Mas, para além do líder revolucionário e estadista, Mao também cultivou durante toda a vida uma relação profunda com a literatura clássica chinesa e deixou uma produção poética que atravessa diferentes momentos de sua trajetória.

Seus poemas não podem ser separados do contexto político e histórico em que foram escritos. Neles aparecem paisagens chinesas, referências à tradição literária, lembranças da juventude, guerras, revoluções e transformações sociais. Ao mesmo tempo, Mao recorre frequentemente a imagens da natureza para refletir sobre temas como passagem do tempo, mudança histórica, juventude e destino coletivo.

A poesia ocupava um lugar importante na tradição intelectual chinesa, especialmente entre os letrados formados pelo contato com os clássicos. Mao conhecia essa tradição e utilizava formas poéticas antigas para registrar acontecimentos de seu próprio tempo. Em seus versos, personagens históricos, rios, montanhas e episódios da revolução aparecem lado a lado, criando uma ponte entre a China imperial e a China revolucionária do século XX.

Os quatro poemas reunidos abaixo foram escritos em momentos bastante diferentes. “Changsha”, de 1925, remete à juventude e às experiências políticas que antecederam a revolução. “Neve”, de 1936, combina a grandiosidade da paisagem chinesa com uma reflexão sobre os grandes personagens da história. “O ELP toma Nanquim”, de 1949, foi escrito durante a vitória comunista na Guerra Civil Chinesa. Já “Natação”, de 1956, retoma imagens de sua juventude e associa a paisagem do rio Yangtzé às grandes transformações que estavam em curso no país.

Mais do que documentos políticos, os poemas revelam também o Mao poeta e sua relação com a tradição literária chinesa.

Changsha (1925), de Mao Zedong

Enquanto o rio Xiang corre para o norte, na ponta da Ilha das Laranjas. Vejo dez mil colinas em brilho carmesim, suas florestas, camada após camada, tingidas; pelo rio........

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