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Dostoiévski desmonta certezas

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Fiódor Dostoiévski (1821‑1881), nascido em Moscou, cresceu sob disciplina rígida, religiosidade e perdas familiares.

Em 1866 lançou “Crime e Castigo”, onde Raskólnikov assassina para provar uma teoria moral.

Seus personagens complexos evitam julgamentos rápidos, exigindo compreensão antes da condenação.

Na era digital de cancelamentos, a obra de Dostoiévski persiste ao questionar certezas e a dignidade humana.

Viajar com Dostoiévski não é visitar a Rússia do século XIX. É entrar numa sala mal iluminada onde a consciência humana ainda está sendo interrogada. Seus personagens não descansam, não se explicam por inteiro, não cabem em diagnósticos rápidos. Eles pensam demais, erram demais, sofrem demais. Por isso continuam vivos. Num século dominado por cancelamentos, vaidades digitais, condenações sumárias e pequenas crueldades convertidas em opinião pública, Dostoiévski permanece incômodo porque nos obriga a fazer justamente o que mais evitamos: compreender antes de condenar.

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski nasceu em Moscou, em 1821, num ambiente marcado por disciplina, religiosidade, doença e tensão social. Perdeu cedo a mãe, viveu sob a sombra de um pai severo e conheceu, ainda jovem, a precariedade que depois daria matéria moral a seus romances. Nada nele foi decorativo. A dor não entrou em sua obra como tema literário, mas como experiência física, espiritual e política.

Em Crime e Castigo, publicado em 1866, Raskólnikov mata para provar uma teoria.........

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