Metamorfoses dos discursos e disputa pelos imaginários sociais
Atualmente, o bolsonarismo representa o que há de pior na sociedade brasileira. Em torno desse movimento de extrema direita gravitam as mais nefastas visões de mundo. No entanto, ao longo dos anos, o bolsonarismo passou por algumas metamorfoses, sendo o seu discurso oportunamente adaptado de acordo com as necessidades do contexto político.
Na segunda metade dos anos 1980, quando Jair Bolsonaro entrou para a vida pública como vereador no Rio de Janeiro, ele apostou no discurso em favor dos (supostos) interesses dos militares para angariar apoio em seu projeto de poder. O ex-capitão do Exército se vendia como uma espécie de sindicalista da baixa patente. É claro que o único interesse que o movia era o seu próprio e o de sua família; mas, na época, conseguiu enganar os incautos.
Além disso, Bolsonaro adotou o saudosismo da ditadura militar como plataforma política. Vale lembrar que, naquele cenário, a perda de protagonismo dos militares após a redemocratização gerou ressentimentos em boa parte das Forças Armadas.
Nas décadas seguintes, Bolsonaro permaneceu como um obscuro deputado federal do baixo clero, fazendo aquilo de que ele mais gosta: não trabalhar. Já em meados da década de 2010, começou a ganhar destaque nacional, com aparições em programas popularescos, como SuperPop (Rede TV!) e CQC (Band). As polêmicas falas do parlamentar geravam altos índices de audiência – afinal de contas, o grotesco chama a atenção.
Consequentemente, para ampliar o seu público........
