Os jovens mudaram, as empresas pouco
Há uns dias, conversei com uma jovem, a Marta, na casa dos 30 anos, que me confessou ter um sentimento de incapacidade por já ter trabalhado em três ou quatro contextos diferentes sem ter encontrado, em nenhum deles, aquilo que procura. E comparava-se com os pais, ambos com carreiras bem-sucedidas, construídas em grandes empresas.
Quando questionei por que razão considerava que os pais tinham tido sucesso, respondeu-me que ambos, vindos da classe média, tinham conseguido crescer profissional e financeiramente, criar condições para proporcionar aos filhos uma educação em boas escolas e alcançar um certo “conforto” nas suas atuais condições de vida.
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Falámos, então, sobre o contexto que tinha rodeado a vida profissional dos pais, que pertenciam a uma geração em que a qualificação não tinha ainda chegado a muitos. A percentagem de licenciados era reduzida e, exceto em alguns períodos de crise, as grandes empresas precisavam destes profissionais e ofereciam condições de entrada e progressão que lhes permitiam, efetivamente, ascender ao longo da vida. Foram também os anos em que se comprava uma casa acreditando que o esforço financeiro se iria diluindo ao longo do tempo…
Trouxemos, então, esta reflexão para os dias de hoje e algumas conclusões ficaram claras, como o facto de o contexto atual ser significativamente diferente. Além disso, o acesso........
