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Mudança: As fragilidades do território

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26.02.2026

Mudança: As fragilidades do território

Paula Reis - 26/02/2026 - 9:02

Os efeitos das alterações climáticas, este inverno, vieram trazer-nos um novo cenário de vida. Se é verdade que a brutalidade dos incêndios de sexta geração (causados por temperaturas extremas, ventos intensos, seca persistente) nos impressionam durante um tempo, mas parece que já fazem parte da nossa vida, a água em excesso e ventos de intensidade mais elevada vieram por a descoberto as fragilidades do território. E os efeitos da existência de fragilidades no território significam grandes mudanças na vida de quem o habita. Confrontados, ao mesmo tempo com uma crise no mercado da habitação e um custo elevado do cabaz alimentar, que teve um aumento acumulado de 30 % nos últimos quatro anos, estão reunidos os indicadores de que a vida dos portugueses irá ser mais difícil nos próximos tempos. Não podemos continuar a pensar que poderemos aplicar as mesmas soluções num cenário que é completamente novo. Nem continuar a ir na corrente de pensar que não temos que parar, pensar, planear para depois corrigir e agir dando resposta a novos desafios. Aos problemas complexos, com muitas variáveis, não se responde com soluções simplistas ou descoordenadas da realidade. É preciso reflexão profunda e mudança. Limitar-se a copiar velhas fórmulas é não ser consequente e perder tempo e recursos necessários para corrigir fragilidades. Individualmente todos podemos contribuir com escolhas mais conscientes, nomeadamente no que toca a escolhas na hora de comprar ou no gasto de recursos naturais. Na gestão do que é público, também as escolhas conscientes, a reorganização do território, a canalização dos financiamentos que estavam disponíveis para outros fins tem de ser redirecionada para o básico e essencial.  Estamos perante o desafio de reconstruir o País, o seu sistema produtivo, a habitação, as infraestuturas básicas de energia e comunicação, a forma como aplicamos o financiamento disponível. Já não é possível encontrar soluções rápidas para o presente. É urgente decidir com base no que conseguimos perspetivar para cenários de futuro. Não o fazendo apenas estaremos a adiar problemas que tenderão a repetir-se.


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