Editorial: Saúde e comunicação
Editorial: Saúde e comunicação
José Furtado - 19/02/2026 - 11:00
Nos últimos meses tornou-se comum, ainda que pelas piores razões, a divulgação da lista de urgências de Obstetrícia que vão estar encerradas. A medida, que não esconde o problema maior da falta de médicos, permite, no mínimo, que os utentes e quem faz o transporte de doentes possam ter alguma previsibilidade.
Nada disto aconteceu em Penamacor, onde o serviço de atendimento complementar do centro de saúde foi encerrado, uma decisão comunicada à população com um papel afixado à porta e sem oferecer alternativas.
Imaginemos um morador de Vale da Senhora da Póvoa, na fronteira norte do concelho, que é confrontado com esta situação, depois de percorrer os 16 quilómetros que o separam da sede de concelho. Agora imaginem numa área como a de Idanha.
A Câmara Municipal de Penamacor, ignorada neste processo, protestou como poucas vezes se viu. “Completo desrespeito”, decisão “opaca” e “unilateral”, escreveu em comunicado.
A reação espalhou-se como um fósforo em erva seca e a Unidade Local de Saúde de Castelo Branco assumiu que a decisão foi comunicada “aos colaboradores dos serviços” e que as consultas de enfermagem seriam asseguradas.
No dia seguinte, o conselho de administração deslocou-se à vila para reunir com a câmara, de onde saiu um comunicado onde garantia que “não há qualquer perda de serviços”. (Um aparte: o comunicado foi publicado na sexta-feira à noite no Facebook e só enviado às redações na segunda-feira de manhã).
Para um concelho que tenta chamar gente, incluindo médicos, é um mau cartão de visita.
