Recursos: Almaceda e a conquista da água
Recursos: Almaceda e a conquista da água
Jaime Magueijo - 20/08/2026 - 9:01
Hoje, abrir uma torneira e dispor imediatamente de água potável é um gesto tão comum que dificilmente pensamos no caminho percorrido até que este serviço chegasse às nossas povoações. Em Almaceda, essa transformação começou a ganhar forma em meados da década de 1940, quando a falta de água constituía um problema sério para a população. Dependia-se de fontes, nascentes e ribeiras, e a procura diária de água fazia parte da vida das famílias. Em 12 de julho de 1945, sob a presidência do padre António Martins do Rosário, a Junta de Freguesia decidiu pedir à Repartição dos Melhoramentos Rurais, em Lisboa, o estudo da exploração e encanamento de águas potáveis. A preocupação não se limitava à sede da freguesia: abrangia também Martim Branco, Valbom, Rochas de Cima, Rochas de Baixo e Ribeira de Eiras. A própria ata justificava a iniciativa pela “falta de água em todos estes povos”, onde as populações recorriam a “fontes de mergulho” e às poucas fontes existentes na ribeira.
A água disponível era tão preciosa que se tornou necessário regulamentar a sua utilização. Apenas duas semanas depois, em 26 de julho de 1945, a Junta decidiu enviar as fichas do inquérito à Intendência Geral dos Abastecimentos, em Castelo Branco, levando o problema ao conhecimento das entidades oficiais. Na mesma reunião, proibiu a lavagem de roupa para cima do Poço do Lagar e impediu que a água das fontes fosse retirada para regar ou lavar casas.........
