sobre sociabilidades de baixa exigência e estar “sozinho junto”
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Há quase um ano, após a tentativa frustrada de me fixar em Lisboa, voltei ao Porto com a certeza de que preferia passar os tempos frios entre amigos do que sozinha e a tentar encontrar pertencimento numa cidade que estava longe de ser minha. Voltei a tempo de pegar a temporada das castanhas, que muito combina com a atmosfera portuense. Vivi em Lisboa por um verão, ou melhor, entre Porto e Lisboa, já que ainda trabalhava por lá aos finais de semana.
A aventura lisboeta me rendeu o hábito de frequentar a Biblioteca Palácio Galveias, no Campo Pequeno, a dez minutos de onde eu vivia. Isso me fez realizar um sonho antigo: ter uma biblioteca no meu bairro e morar perto dela. Na altura, a vista da janela do quarto sem prédios até a Alameda Dom Afonso Henriques, com o Tejo a parecer bem lá no fundo, me rendeu um dos períodos mais frutíferos de escrita. Fiz até o cartão da Biblioteca de Arte Gulbenkian, mais distante, só para me deleitar com aqueles jardins entre uma leitura e outra e ter as pausas do café com uma amiga que escrevia a sua tese.
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Numa temporada lisboeta que só depois descobri ser curta, “adotei” o Cinema Ideal como um prolongamento de casa. Bem como as bibliotecas, esses cantinhos onde se pode chegar só e sair com a sensação de que........
